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Se você tem uma reserva financeira guardada na renda fixa e sente que o seu patrimônio está crescendo devagar demais, você provavelmente já pensou em investir em imóveis. No Brasil, o tijolo sempre foi sinônimo de segurança e solidez. No entanto, o preço dos imóveis no mercado convencional muitas vezes assusta o investidor iniciante.
É aqui que surge a oportunidade dos leilões extrajudiciais. Muitas vezes vistos como algo complexo ou arriscado, eles são, na verdade, uma das portas de entrada mais eficientes para quem deseja construir patrimônio real com descontos que podem chegar a 40% ou 50% do valor de mercado.
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Neste artigo, vamos analisar detalhadamente se o leilão extrajudicial vale a pena para quem está começando agora e como você pode transformar essa modalidade em uma máquina de gerar renda passiva.
O que é, afinal, o Leilão Extrajudicial?
Para entender se vale a pena, primeiro precisamos desmistificar o termo. O leilão extrajudicial é aquele que acontece sem a necessidade de um processo na justiça. Ele é baseado na Lei 9.514/97, que trata da alienação fiduciária.
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Em termos simples: quando alguém compra um imóvel financiado pelo banco e para de pagar as parcelas, o próprio banco tem o direito de retomar o imóvel e colocá-lo à venda para recuperar o dinheiro emprestado. Como o banco não é uma imobiliária e não quer ficar com o imóvel parado gerando custos (como condomínio e IPTU), ele o coloca em leilão por valores muito atrativos.
Diferente do leilão judicial (que surge de dívidas trabalhistas, cíveis ou fiscais e costuma ser mais demorado), o extrajudicial é geralmente mais rápido e possui uma burocracia mais previsível, o que o torna ideal para o investidor de classe média que busca agilidade.
Vantagens e Desvantagens para o Iniciante
Como todo investimento, existem dois lados da moeda. Para o investidor iniciante, é fundamental colocar na balança o que realmente importa.
Vantagens
- Preço abaixo de mercado: Esta é a maior vantagem. Você compra um ativo que vale 500 mil reais por, talvez, 300 mil reais. Você já entra no negócio ganhando dinheiro na compra.
- Segurança jurídica: No leilão extrajudicial, as regras são claras e estabelecidas em contrato e no edital. Se você seguir o passo a passo correto, o risco de perder o investimento é praticamente nulo.
- Possibilidade de financiamento: Muitos bancos permitem que você financie o próprio imóvel que está sendo leiloado, o que aumenta o seu poder de compra (alavancagem).
- Agilidade na transferência: Uma vez arrematado e pago, a escritura e o registro costumam ser processados de forma mais célere que nos processos judiciais.
Desvantagens e Riscos
- Imóveis ocupados: Grande parte dos imóveis em leilão extrajudicial ainda conta com o antigo morador. O investidor precisará lidar com a desocupação, que pode ser amigável ou judicial.
- Custos extras: Além do valor do lance, você deve pagar a comissão do leiloeiro (geralmente 5%), impostos de transferência (ITBI) e possíveis dívidas de condomínio e IPTU (dependendo do que diz o edital).
- Necessidade de análise técnica: Não basta olhar a foto do prédio. É preciso ler o edital com atenção e verificar a matrícula do imóvel.
Passo a Passo para sua Primeira Arrematação
Se você decidiu que o leilão extrajudicial é o caminho, não deve agir por impulso. O sucesso no investimento imobiliário vem da preparação. Siga este roteiro:
- Defina seu orçamento: Saiba exatamente quanto você tem disponível. Lembre-se de reservar cerca de 10% a 15% do valor total para custos de documentação e uma pequena reforma, se necessário.
- Escolha leiloeiros confiáveis: Procure por sites de leiloeiros oficiais registrados na Junta Comercial. Evite sites que não terminam em “.com.br” ou que pedem depósitos em contas de pessoas físicas.
- Leia o Edital (A Regra do Jogo): O edital é o documento mais importante. Nele constam as dívidas do imóvel, quem pagará os impostos atrasados, o estado de ocupação e as condições de pagamento.
- Analise a Matrícula: Peça a certidão de matrícula atualizada no Cartório de Registro de Imóveis. Verifique se não há gravames ou pendências que o edital não mencionou.
- Visite a vizinhança: No leilão extrajudicial, raramente você consegue visitar o interior do imóvel. Por isso, visite a rua, converse com o porteiro e avalie o estado externo do prédio. Isso ajuda a estimar o valor de mercado.
- Dê seu lance com estratégia: Defina um valor máximo (seu teto) e não o ultrapasse no calor da disputa emocional do leilão.
A Estratégia de Construção para Renda
Para o investidor de classe média, o leilão não deve ser apenas uma compra e venda rápida (o chamado “giro”). A verdadeira riqueza está em usar o leilão como ferramenta para construir renda recorrente.
Imagine o seguinte cenário: você arremata um apartamento bem localizado por 60% do valor de mercado. Após a desocupação e uma pintura rápida, você o coloca para aluguel de longa duração ou até mesmo para aluguel de curta duração (por temporada), se a localização for turística ou próxima a centros comerciais.
Como você pagou barato no imóvel, a sua taxa de retorno sobre o investimento será muito maior do que a de alguém que comprou o imóvel pelo preço cheio na imobiliária. Enquanto um aluguel comum rende cerca de 0,4% a 0,5% ao mês sobre o valor do imóvel, um imóvel de leilão pode render 0,8% ou mais sobre o capital investido.
O Mito da Desocupação: É Difícil Tirar o Morador?
Este é o maior medo do investidor iniciante. “E se a pessoa não sair?”. No leilão extrajudicial de bancos, a lei protege o arrematante. Se o morador não sair amigavelmente (o que acontece em cerca de 50% dos casos mediante uma boa conversa e, às vezes, uma ajuda de custo para a mudança), o juiz concede uma liminar de imissão na posse.
Isso significa que, com o auxílio de um advogado, você consegue uma ordem judicial para que o antigo proprietário saia do imóvel em um prazo determinado (geralmente de 60 dias). O custo com advogado deve ser visto como um investimento, não como despesa, e deve estar previsto no seu planejamento financeiro inicial.
Vale a Pena para o Iniciante?
A resposta curta é: sim, vale muito a pena. No entanto, vale a pena para o iniciante que se propõe a estudar e não para aquele que busca “dinheiro fácil” sem esforço.
O leilão extrajudicial é a forma mais rápida de um investidor de classe média sair da “corrida dos ratos” e começar a ver o seu patrimônio crescer de forma exponencial. Em vez de esperar 30 anos para quitar um imóvel, você pode usar sua reserva para comprar o primeiro, reformar, alugar, e usar a renda e o patrimônio valorizado para alavancar o segundo.
Conclusão: O Próximo Passo
Se você tem um capital parado e quer segurança, o mercado imobiliário é o seu lugar. O leilão extrajudicial é apenas o meio de campo para você atingir o objetivo final: a liberdade financeira através da renda de aluguel.
Comece pequeno. Procure por vagas de garagem ou apartamentos de um quarto em sua cidade. Familiarize-se com os editais e acompanhe alguns leilões apenas como observador antes de dar o seu primeiro lance. Quando você se sentir seguro, perceberá que o leilão não é um bicho de sete cabeças, mas sim a melhor oportunidade de investimento disponível no Brasil hoje.
Lembre-se: o lucro no mercado imobiliário acontece na compra. E não existe lugar melhor para comprar barato do que nos leilões.





