Economize na Fundação: Dicas práticas para não jogar dinheiro fora no início da sua obra

Economize na fundação através de planejamento técnico e estratégia, evitando desperdícios e garantindo a segurança estrutural do seu investimento imobiliário.

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Você finalmente decidiu tirar o dinheiro da poupança ou daquela renda fixa que mal ganha da inflação para investir em algo sólido: o tijolo. O plano é claro: construir para alugar ou vender. No entanto, logo no início da jornada, surge o maior fantasma de qualquer investidor imobiliário: o medo de ver o capital escoar pelo ralo antes mesmo das paredes subirem.

A fundação é, literalmente, a base do seu patrimônio. É aqui que muitos amadores cometem o erro fatal de “enterrar dinheiro” sem necessidade ou, pior, economizar onde não deve e comprometer a estrutura do imóvel. Como mentor, meu papel é te mostrar que a economia inteligente na fundação não vem do uso de materiais baratos, mas sim da estratégia e do planejamento técnico.

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Neste artigo, vou te guiar pelo caminho das pedras para que você economize na fundação da sua obra sem colocar em risco a segurança do seu investimento. Vamos transformar seu suado capital em um ativo gerador de renda, começando do jeito certo: pelo chão.

O Erro que Custa Caro: Chutar em vez de Medir

O maior ralo de dinheiro em uma obra de classe média no Brasil chama-se “superdimensionamento”. Por medo de a casa cair ou por falta de informação técnica, muitos construtores acabam gastando 30% a mais em ferro e concreto do que o necessário. Isso acontece porque eles não conhecem o terreno onde estão pisando.

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A Sondagem de Solo (SPT): Seu Primeiro Investimento

Muitos investidores iniciantes acham que pagar por uma sondagem de solo é “gasto extra”. Ledo engano. A sondagem SPT (Ensaio de Penetração Padrão) é um relatório que diz exatamente a que profundidade está a camada resistente do seu terreno.

  • Sem sondagem: O calculista, por segurança, vai projetar sapatas gigantes ou estacas profundas demais. Você gasta com concreto e aço desnecessários.
  • Com sondagem: O engenheiro projeta exatamente o que o solo suporta. A economia aqui paga o teste de sondagem dez vezes mais.

Dica de Economia Real: Uma sondagem para um terreno padrão custa entre R$ 1.500,00 e R$ 2.500,00. Em uma obra de 150m², a economia gerada por um projeto otimizado baseado na sondagem pode chegar a R$ 10.000,00 apenas em aço e concreto.

Escolhendo o Tipo de Fundação: Vantagens e Desvantagens

Não existe “a melhor” fundação, existe a mais adequada para o seu tipo de solo e para o bolso do investidor. Vamos analisar as opções mais comuns para quem constrói casas para renda ou venda:

1. Sapatas Corridas ou Isoladas (Fundação Rasa)

Indicadas para solos firmes e construções leves. São as mais baratas porque exigem menos escavação profunda e menos concreto bombeado.

  • Vantagem: Baixo custo de execução e rapidez.
  • Desvantagem: Não servem para solos moles ou aterros recentes.

2. Estacas Escavadas ou Brocas

Muito comuns em sobrados. Um trado (manual ou mecânico) perfura o solo até a profundidade determinada.

  • Vantagem: Custo intermediário e boa resistência para dois pavimentos.
  • Desvantagem: Geram muita terra (bota-fora) que precisa ser removida, gerando custo de caçamba.

3. Radier

É como se fosse uma “laje” de concreto sobre o solo, onde toda a casa se apoia. Está ganhando muito espaço em condomínios de casas geminadas.

  • Vantagem: Já serve como contrapiso, economizando uma etapa inteira da obra. Reduz o tempo de mão de obra drasticamente.
  • Desvantagem: Exige que todas as instalações hidráulicas e elétricas de piso estejam 100% corretas antes da concretagem. Não permite erros.

Passo a Passo para uma Fundação Econômica e Segura

Para você que está saindo da renda fixa e quer segurança, siga este roteiro prático para não perder o controle financeiro logo no primeiro mês de obra:

  1. Limpeza e Nivelamento: Antes de começar, garanta que o terreno esteja limpo. Se o terreno for muito caído, avalie se vale mais a pena fazer um subsolo (para garagem ou depósito e aumentar o valor do aluguel) ou se compensa o aterro.
  2. Contratação do Projeto Estrutural: Nunca deixe o pedreiro decidir a quantidade de ferro “de cabeça”. O projeto estrutural custa pouco e garante que você não vai gastar em excesso.
  3. Cotação de Materiais em Volume: Fundação consome muito ferro e concreto de uma vez. Não compre picado. Negocie o lote de aço completo para a fase de fundação e consiga descontos de até 15% nas distribuidoras.
  4. Concreto Usinado vs. Batido na Obra: Para a fundação, o concreto usinado (de caminhão) costuma ser mais vantajoso. Ele garante a resistência (FCK) necessária e evita o desperdício de cimento e areia que ocorre quando se bate o concreto manualmente.
  5. Impermeabilização Rigorosa: Aqui é onde o barato sai caro. Economizar R$ 500,00 em aditivos impermeabilizantes na fundação vai te custar R$ 5.000,00 em reformas de umidade na parede daqui a dois anos. Use produtos de qualidade nas vigas baldrame.

A Importância da Segurança Jurídica e Documental

Como mentor, preciso te alertar: obra econômica não é obra clandestina. Se você está comprando um terreno em leilão ou mesmo no mercado convencional para construir e gerar renda, a regularidade documental é o que garante a liquidez do seu patrimônio.

Antes de furar o primeiro buraco, certifique-se de que o Alvará de Construção está emitido. No caso de imóveis arrematados em leilão, verifique se a carta de arrematação já foi registrada na matrícula do imóvel. Construir em terreno com pendência jurídica é o caminho mais rápido para travar o seu capital e perder noites de sono.

Além disso, mantenha as notas fiscais de todos os materiais da fundação. Elas serão fundamentais para a apuração do custo de aquisição e para a futura averbação da construção na matrícula, o que valoriza o imóvel para uma possível venda financiada.

Estimativa de Custos: Onde seu Dinheiro é Alocado

Em uma obra residencial padrão de classe média, a fundação costuma representar entre 10% a 15% do custo total da obra. Se você planeja gastar R$ 200.000,00 na construção, reserve pelo menos R$ 25.000,00 para a fase de fundação e infraestrutura.

Dica de ouro: Sempre tenha uma reserva de contingência de 10% sobre o valor da fundação. Por mais que a sondagem seja precisa, o solo pode apresentar surpresas (como uma rocha isolada ou um antigo poço aterrado) que exigirão manobras técnicas rápidas.

Como Evitar Desperdícios de Mão de Obra

A fundação é uma fase “suja” e rápida. Muitos empreiteiros tentam esticar esse prazo para justificar diárias. Para economizar:

  • Contrate por Empreitada Global ou por Fase: Feche um valor fechado para a conclusão da fundação e baldrame. Isso motiva a equipe a ser eficiente.
  • Locação de Equipamentos: Às vezes, alugar um mini-escavadeira por um dia (cerca de R$ 800,00) substitui o trabalho de quatro serventes por uma semana, gerando uma economia líquida de tempo e dinheiro.

Conclusão: O Tijolo é o Caminho para a Liberdade

Investir em construção para renda é uma das estratégias mais sólidas para quem deseja sair da volatilidade do mercado financeiro e construir um patrimônio real. Economizar na fundação não significa ser “mão de vaca”, mas sim ser um investidor inteligente que utiliza a técnica a favor do lucro.

Lembre-se: o dinheiro que você economiza com um bom projeto estrutural e uma sondagem bem feita é o dinheiro que vai pagar o acabamento de primeira linha lá na frente, garantindo um aluguel mais alto ou uma venda mais rápida. Planejamento, pé no chão e foco na técnica são os pilares do seu sucesso imobiliário.

Construir é um processo de etapas. Vença a fundação com maestria e você terá metade do caminho percorrido para a sua independência financeira através dos imóveis.

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Ana Maria
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